TED BOY MARINO: O ítalo-argentino que foi ídolo no Brasil.

Resgatando a memória de antigos carnavais. Neste post, vamos lembrar do carnaval 
do bloco em 2006 em homenagem ao amigo TED BOY MARINO. Figura maravilhosa 
que nos brindou com sua presença, sua culinária e sua alegria por anos a fio no pequeno 
bairro do Leme, no Rio de Janeiro. 
Deixo aqui o samba feito em casa de TED BOY por 14 compositores que usufruíram 
a delícias preparadas pelo anfitrião, muita cerveja e macarronada completaram 
a festa que varou a madrugada. 
Vale registrar que ninguém queria colocar o ponto final no samba. 
Os argumentos para essa dilatação vinham da cozinha. TED BOY, pilotava o fogão 
e as iguarias não paravam de sair.   Além disso o clima de festa e a quantidade 
insondável de estórias que sustentavam cada frase, fizeram desse 
encontro, um dia memorável.
Fico devendo uma análise pormenorizada da letra. 

1) Deixo uma crônica da amiga Eliane Azevedo sobre suas memórias e as 
lembranças do querido homenageado.

2) Deixo, abaixo, o trecho de um artigo publicado em 2014 sobre 
narradores e compositores do carnaval de rua carioca e um link para o texto completo: https://issuu.com/marcelooreilly/docs/0651-jorgesapia-andreaestevao

"Os compositores dos blocos de rua trabalham
num universo de menor controle da sua produção, o que permite maior liberdade 
para tratar de temas da agenda política e de costumes, sem o cerceamento acima referido. 
 No caso que nos interessa pensar, os rituais e as escolhas temáticas assumem 
formas diferentes. Por regra geral se observa a produção de crônicas bem humoradas, 
críticas ácidas, e releituras irreverentes da história recente no Rio de Janeiro, 
do Brasil e do mundo, num processo dialógico com as manchetes de jornal. 
As narrativas produzidas no samba, elaborados muitas vezes por parcerias
construídas em função da disponibilidade de tempo, tem maior autonomia e
espontaneidade. Feitos “no calor dos acontecimentos” têm, geralmente, 
o registro da urgência."

ALÔ MEU BEM, SOU MAIS A ÉTICA DO TED BOY
 
Ted Boy; Jorgito, o Tigre Paraguaio; Janjão, o Verdugo; Samir Rasputim; Claudinho, Barba Ruiva; Gerard...ooo;  Gallotti, a Múmia; Djalma, Aquiles; Agenor, Crispim; Marceu, o Mascarado; Lefé, o presidiário; Feife, Mongol; Eduardo, Orion IV e Tedinho, o filho do homem.                                           
 
Respeitável público
Pancada de amor não dói
Revivendo o telecatch na avenida
Meu Bem, homenageia o Ted Boy
Nesse córner Jenny Mary anuncia
Tudo o que se disputa é bom
Limão no olho, telefone, adultério
Lady Jefferson, Delúbio e Valério
 
Me leva pras cordas
Que eu beijo a lona                     
Vamos pro clinch                        
Que isto aqui tá uma zona
 
Saiu da Itália, que triste sina
Coitado foi parar na Argentina
Foi salvo pelo gongo
Hoje é brasileiro
Se esquivou e está no Rio de Janeiro
Sou Trapalhão Meu Bem, sem vale tudo
Sou Ted Boy, contra o sapo barbudo
 
Ai, ai, ai, ui, ui, ui
Será que a tesoura voadora é marmelada?
Botaram o Verdugo no cofrinho...(ou na cueca)
E ele não sabia de nada




          TED BOY

Eliane Azevedo

Era no sábado à noitinha, se a memória não falha. A família inteira se sentava na sala, de olho no Telecatch. O programa, obrigatório lá em casa, tinha tudo para ser uma tortura para uma menina de 7, 8 anos – que mulher, em qualquer idade, gosta de ficar vendo luta na TV? Mas, ao contrário, eu me postava grudada na telinha para ver o meu príncipe encantado. Louro, olhos verdes ou azuis – naqueles tempos de preto-e-branco, eu imaginava que fossem verdes, como as inalcançáveis profundidades marinhas –, de sunga e um tênis do tipo botinha, o herói que entrava no ringue era bom e belo, e isso bastava para justificar os saltos do meu coração de garotinha, acompanhando as tesouras-voadoras e outros golpes infernais que ele impingia aos adversários feios e maus. O mundo, nos anos 70, parecia mais simples: assistir ao Telecatch era torcer por Ted Boy Marino, e ele nunca perdia.

          Mais tarde, um pouco mais velha, quando já se mostrava irremediável a contaminação de minha alma infantil pelo azedume da análise crítica, e o encanto das lutas começava a se perder sob a acusação de que era tudo marmelada (como se a verdade daqueles tempos pudesse alegrar a noite de sábado de alguém…), eis que Ted Boy surge belo, bom – e engraçado! Eu não era particularmente fã dos Trapalhões, porque desde criança nunca achei torta na cara algo divertido, mas, enquanto meu príncipe louro participou da trupe, fui fiel espectadora.

          Aí, muita água rolou embaixo da ponte, e eu já não sou uma menina há tempo demais para o meu gosto. Mas, certo dia, como que saído do tubo do aparelho de televisão a válvula e de pernas palito da minha casa suburbana, reencontro Ted Boy Marino na casa do amigo Jorgito. E ele – ah, pobres dos homens de pouca fé que deixaram de crer nos heróis da infância! – continua belo e bom. E, como se não bastasse, cozinha maravilhosamente bem. Agüenta essa, Verdugo!

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JORNAL O GLOBO: SEGUNDO CADERNO
Publicado em 20 de novembro de 2005Versão impressa
Gente Boa

Joaquim Ferreira dos Santos

Ética do Ted Boy

O bloco “Meu bem volto já”, do Leme, escolheu o tema e o homenageado do desfile do bloco para o ano que vem. Será “Em tempo de golpe baixo, mensalão e pit boy, sou mais a ética do Ted Boy”, uma homenagem ao ex-lutador de telecatch Ted Boy Marino. “É mais que merecida”, diz Jorge Sapia, o fundador do bloco. “Na memória coletiva da sociedade brasileira, ele é um cara do bem, que abusa da franqueza, sem golpes baixos, ao contrário do que a gente vê por aí”, explica.

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